Dentro das empresas, organizações e instituições, o cenário hoje é: várias gerações atuando, aprendendo juntas, compartilhando atividades, responsabilidades e opiniões.

Diante dessa realidade, é necessário compreender quais gerações são essas, seus comportamentos e características, só assim seremos capazes de lidar com seus conflitos (internos e entre gerações).

Para isso, precisamos definir estratégias e métodos adequados às diferentes posturas, valores, visões, crenças e convicções de homem e mundo.

Quando estamos falando e lidando com diferentes gerações, a forma de liderar, instruir, ensinar, aprender, dentre outros processos, devem ser planejados para garantir as melhores estratégias e metodologias que auxiliem estes estudantes, acadêmicos ou profissionais – no ambiente onde estiverem inseridos.

Assim, é extremamente importante compreender o perfil comportamental dessas diferentes gerações. Veja mais no tópico a seguir.

Como é o perfil comportamental das diferentes gerações?

A primeira geração que vamos abordar é chamada de Builders (nascidos entre 1925 e 1945), suas principais características são: respeito às regras, à família, ao trabalho e a mortal. Buscam por estabilidade e se adaptam a hierarquias rígidas.

Por sua vez, a geração Baby Boomers (nascidos entre 1940 e 1960), são considerados livres, workaholics, competitivos, confiantes, individuais, moralistas, idealistas, leais, revolucionários e são sempre focados nos resultados. Além disso, costumam trabalhar muito bem em equipes.

A próxima é chamada de Geração X (nascidos entre 1960 e 1980). Dentre suas características podemos dizer que eles são práticos, empreendedores, independentes, leais, materialistas, individualistas e competitivos. Assim como os Builders, eles também têm muito respeito pelas autoridades e hierarquias. Um de seus focos principais é o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. 

Agora, dando um salto na mudança de comportamento, temos a Geração Y (nascidos entre 1980 e 1995). Eles costumam ser otimistas, confiantes, impacientes, dispersos, vaidosos, questionadores, imediatistas e multitarefas. Trabalham em redes e estão sempre em busca de encontrar seu propósito. Em sua maioria desejam horários flexíveis e posições de liderança. 

Depois, vamos para os nativos digitais: a Geração Z.  Eles têm a característica de serem críticos, dinâmicos, comunicativos, multitarefas e multissensoriais. São realistas e preocupados com o meio ambiente, além de serem exigentes e valorizam uma identidade fluida. Buscam satisfação no trabalho, mas entediam-se facilmente.

Por fim, temos a Geração Alpha (nascidos entre 2010 até os dias de hoje). Mesmo ainda sendo muito jovens, tem características de empreendedores, questionadores, hiperconectados e exibicionistas. Buscam por experiências imersivas e interativas, pois relacionam-se com a tecnologia desde o nascimento.  

Nota: Autores discordam sobre a distribuição exata das datas em que inicia e termina cada uma das gerações, mas concordam em suas características.

As gerações e sua relação com a educação

Ao refletirmos sobre o processo educacional, possuímos o exemplo mais prático e claro das diferenças entre as gerações e as necessidades resultantes dessas combinações.

Grande parte dos estudantes que hoje estão cursando o ensino fundamental e médio nasceram no século XXI, e tem vivido na era da internet, entretanto, muitos educadores que ainda estão atuando, realizaram seus estudos por meio de enciclopédias, memorização de livros e, de certo modo, reproduzem a informação da forma como lhes foi ensinado. 

A era digital trouxe inúmeras mudanças para a sociedade atual, entre elas, um enorme gap geracional. As diferenças são tão grandes que as novas gerações passaram a ser classificadas a cada 10 anos, em média.

Ainda sobre o âmbito educacional, é possível perceber e pontuar algumas questões específicas. Veja abaixo sobre cada geração.

Como os BUILDERS aprendem?

Eles passaram pela Segunda Guerra Mundial, viveram os efeitos da Grande Depressão e sabem o que é o significado do sacrifício em benefício de todos. 

São práticos, dedicados e dispostos a dar muito de si mesmo recebendo pouco em troca. Além disso, são acostumados a hierarquias rígidas, seu comportamento é altruísta e tem aversão a riscos. 

Quais as características educacionais dos BABY BOOMERS?

Nascidos depois da Segunda Guerra Mundial até a metade da década de 60, caracterizam-se pela dedicação e comprometimento. São competitivos, contestadores, focados em resultados e aprendem a lidar com avanços tecnológicos, mas de uma forma mais gerencial do que aplicada à mudança de hábitos.

Por sua vez, quanto à forma de aprendizado, são consumidores e inovadores, portanto, estão sempre atentos às movimentações do mercado. 

Possuem raciocínio linear, ou seja, focam na aprendizagem com início, meio e fim, como se fosse a leitura de um livro, por exemplo.

Acabam preferindo ler e seguir programas de ensino tradicionais e valorizam treinamentos, principalmente os voltados para tecnologia.

Como a tecnologia influenciou a forma de aprendizagem da GERAÇÃO X?

Essa geração caracteriza-se pela força, foco e desejo de chegar à aposentadoria. 

São independentes e empreendedores, valorizam a estabilidade e apresentam um pouco de resistência a mudanças.

Buscam a ascensão profissional e apresentam-se como uma geração equilibrada, que não se precipita na tomada de decisões. 

Apesar de não serem nativos digitais, conseguem se tornar experientes com facilidade.

A forma de aprendizagem dessa geração, por adaptar-se rapidamente às tecnologias, utilizam-se de recursos, mas prezam o consumo de informações híbridas (online e offline). 

Valorizam a flexibilidade e a aprendizagem colaborativa, com o compartilhamento de conteúdo e envolvimento das pessoas.

A tecnologia e a maneira informal de aprender da GERAÇÃO Y

Os nascidos dessa geração são autônomos, têm múltiplas carreiras e são conhecidos pelo potencial inovador. 

Acreditam no trabalho em equipe, costumam ser informais e imediatistas em suas ações. 

Apresentam mais facilidade para assumir riscos, mas buscam recompensas tangíveis para isso.

Cresceram com os diversos recursos tecnológicos à disposição, e por isso estão sempre conectados. Entretanto, eles não abrem mão da comunicação “ao vivo” e a valorizam.

Quanto ao aprendizado, estão acostumados com um grande fluxo de informações , que consomem com facilidade e rapidez. 

Tem preferência por aprender de maneira informal. Uma característica bem marcante é que são multitarefas e tem um raciocínio linear

GERAÇÃO Z: a primeira considerada nativa digital

Caracterizam-se por serem idealistas quanto a sua capacidade de mudar o mundo. Valorizam a consciência coletiva e sentem necessidade de expor suas opiniões.

Por ter a tecnologia inata, são considerados uma geração mobile e nativos digitais. Além disso, costumam sempre realizar ações criativas e não temem se arriscar.

Apesar de serem independentes e competitivos, preocupam-se fortemente com o ecossistema, com a sustentabilidade e com os recursos naturais.

Para o processo de ensino-aprendizagem, costumam consumir informações principalmente via smartphones e tem preferência por conteúdos em vídeos (curtos), fotos e jogos interativos.

Aprendem de múltiplas maneiras, são multifocais e convergem em diferentes plataformas. Mas o seu raciocínio é não-linear.

O que esperar da GERAÇÃO ALPHA?

Essa geração ainda está em processo de investigação, afinal, é totalmente nova e ainda está se desenvolvendo.

Destacam-se pela espontaneidade e autonomia. Possuem acelerado poder de adaptação e interagem com a tecnologia desde o nascimento, portanto, são movidos por estímulos sensoriais.

Quanto à forma de aprendizado, já consomem em diversos canais, como por exemplo, on demand, vídeos, jogos, realidade virtual e aumentada. 

Apresentam uma forma mais horizontal de aprendizado e preferem um ensino personalizado, feito sob medida para suas necessidades. 

Apesar do grande contato com a tecnologia, preferem uma educação híbrida e que possa ser aplicada e contextualizada em situações do cotidiano.


“É importante esclarecer que essas não são definições, e sim um conjunto de características dos grupos de pessoas que nasceram nessas épocas, sua forma de ser no mundo e, além disso, uma forte relação com o desenvolvimento de novas tecnologias, acontecimentos e fatores culturais e sociais, que criaram contextos e experiências únicas em cada uma das gerações.


É por isso que educar essa nova geração de alunos com cartilhas e metodologias do século passado é insustentável.

Como nasceram em um mundo dominado pela tecnologia, o novo perfil do aluno da atualidade tem acesso a informações a todo momento, vindas de todas as formas e todos os lugares em uma velocidade infinitamente maior.

Os alunos do século XXI têm um perfil bem definido: eles se comunicam via redes sociais e mensagens instantâneas de caracteres limitados, têm pouca paciência (e capacidade de concentração) para as abordagens mais longas, que marcaram o ensino das gerações passadas.

O perfil do aluno da geração Z é extremamente prático. Busca soluções para problemas reais e estuda assuntos relacionados a sua realidade.

Por isso, pensar em novas formas, formatos, tecnologias e interações é de extrema importância. 

Quer saber mais sobre as gerações e sua relação com o mercado de trabalho? Veja através do infográfico que preparamos para você!


Willian Echeverria é Content Producer no Edupulses. Graduando em Psicologia e pesquisador em Educação, Aprendizagem e Metodologias Ativas. Willian se desafia todos os dias na busca de novas metodologias e ferramentas ativas que auxiliem no processo de ensino-aprendizagem.