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Legados da pandemia para a educação

Foi rápida a nossa necessidade de adaptação. Estava claro que a Covid-19 traria grandes impactos no comércio, na economia e é claro na educação. Mas a nossa adaptação para isso não previu um planejamento, tivemos que ir testando, planejando e retestando.

Os debates sobre a educação a distância (EAD) e uso de tecnologias em sala de aula já estavam em pauta, mas ainda timidamente sendo testado com maior frequência em escolas particulares e superiores. De uma hora para outra a educação básica, as interações, as reuniões e o próprio planejamento acerca destas coisas tiveram que migrar para o digital, com o uso de novas tecnologias e ferramentas.

As novas necessidades e suas especificidades, quando confrontadas com a realidade de escolas, pais, alunos e professores, enfrentou um desafio constante, diversos questionamentos e novas estratégias.

Em levantamento realizado pelo Instituto DataSenado (Agência Senado, 2020) sobre a educação da pandemia, em agosto de 2020, entre os quase 56 milhões de alunos matriculados na educação básica e superior no Brasil, 35% (19,5 milhões) tiveram as aulas suspensas devido à pandemia de covid-19, enquanto 58% (32,4 milhões) passaram a ter aulas remotas. Na rede pública, 26% dos alunos que tiveram aulas online não possuem acesso à internet.

Já a série de pesquisas do Datafolha, encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures buscou traçar um panorama da educação pública na pandemia sob o ponto de vista dos professores, pais e responsáveis e dos estudantes. Aponta ainda a opinião de professores da rede pública de todo Brasil acerca do uso da tecnologia durante a pandemia e seus impactos e usos no futuro. Abaixo elencamos os principais resultados destas pesquisas.

73% dos educadores do país acreditam que, após a pandemia, vão utilizar mais tecnologia no ensino do que usavam antes

A necessidade de uso das tecnologias no contexto da pandemia evidenciou a importância de seu uso, os impactos positivos na aprendizagem e, além disso, o alto engajamento dos alunos.

Na Região Norte o percentual de educadores que acreditam que após a pandemia vão utilizar mais tecnologia é de 70%, o menor dentre todas as regiões do país. 83% dos educadores da Região Norte apontam a tecnologia como uma grande aliada na promoção de um ensino mais ativo e centrado no aluno, no entanto 65% dos educadores do Norte consideram que a conexão utilizada nas escolas públicas municipais e estaduais não é adequada.

Junto da importância e efetividade do uso das tecnologias, os resultados apontam ainda um outro aspecto muito importante de se considerar: o preparo e capacitação.

Além disso, diversas tecnologias podem ter sido aplicadas erroneamente, ou até mesmo não sendo as mais indicadas. Outro aspecto é entender que esse preparo deve considerar também (e principalmente) o aluno que, por mais que uma grande parte seja nativo digital, a inserção de uma nova tecnologia deve sempre vir acompanhada de preparo, testagem e tutoriais, além de suporte constante.

Outras considerações importantes a se analisar são as questões de acessibilidade, inclusão e interação.

Outros indicadores apontados pelas pesquisas:

PROFESSORES

PREPARO – Apenas 3% dos professores não se sentem preparados para dar aulas com tecnologia;

EQUIPAMENTOS – 97% dos professores acham importante oferecer equipamentos e acesso à internet de alta velocidade para alunos e professores que não disponham, caso as escolas não reabrissem até o fim do ano;

INTERNET – 55% dos professores acham que a internet da sua escola não é adequada para continuar usando tecnologia no retorno às aulas;

ACESSO – 29% não têm acesso à internet na escola e só 16% acham que a velocidade é adequada. Após a pandemia, 64% dos professores consideram imprescindível a todas as escolas terem acesso à internet de alta velocidade. 59% acham imprescindível todos os professores terem acesso e 47% acham imprescindível todos os alunos terem acesso;

CAPACITAÇÃO E FORMAÇÃO – 76% dos professores dizem que farão mais formações de forma remota após a pandemia do que o quanto faziam antes da pandemia.

PAIS E RESPONSÁVEIS

PARTICIPAÇÃO – 51% dos responsáveis consideram que estão participando mais da educação dos estudantes, no período da pandemia. Este índice sobe para 58% na região Sul e 57% no Centro-Oeste;

RESPONSABILIDADE – 72% concordam com a afirmação de que estão com mais responsabilidade pela educação dos estudantes durante a pandemia, do que antes dela;

TRABALHO DO PROFESSOR – 71% dos responsáveis pelos estudantes estão valorizando mais o trabalho desenvolvido pelos professores;

PROFESSOR – 94% consideram muito importante que os docentes estejam disponíveis para correção de atividades e esclarecimento de dúvidas durante as aulas não presenciais;

EFICIÊNCIA DAS AULAS – A maioria (64%) também considera que as aulas não presenciais foram eficientes no aprendizado aos estudantes, enquanto 36% afirmam que não foram eficientes;

SAÚDE MENTAL DOS ALUNOS – Para 77% dos pais ou responsáveis ouvidos na pesquisa, os estudantes estão tristes, ansiosos, irritados ou sobrecarregados na pandemia.

ALUNOS

ATIVIDADES – Em setembro, 92% de estudantes brasileiros receberam atividades para fazer em casa, contra 74% em maio. O aumento ocorreu em todas as regiões do país, sendo o Norte a com menor índice de acesso. Em maio, o Sudeste registrou 85%, o Sul 94%, o Nordeste 61%, o Centro Oeste 80% e o Norte 52%. Já em setembro, o alcance de alunos que receberam atividades em casa passou no Sudeste para 94%, no Sul 96%, Nordeste 87%, Centro Oeste 97% e Norte 84%;

MOTIVAÇÃO – Em maio, 46% se sentiam desmotivados, agora são 54%. Porém, os índices se mantiveram estáveis quando comparados à pesquisa anterior (de julho/2020): 51% em julho, contra 54% em setembro;

ROTINA – A percepção das dificuldades de estabelecer uma rotina de aprendizagem em casa passou de 58% para 65%, de maio a setembro. Nos anos iniciais chega a 69%;

DINÂMICA FAMILIAR – Para 28%, o relacionamento em casa piorou após o início das atividades remotas, contra 21% em maio; nos anos iniciais esse índice é de 30%;

MEDO – O medo de abandonar a escola se manteve como em maio, em 30%, depois de ter chegado a 38% na edição anterior da pesquisa, em julho;

APARELHOS E ACESSO – O acesso via celular, computador, material impresso e TV foi de, respectivamente, 87%, 73%, 64% e 53%, na rede estadual.

OUTROS IMPACTOS DA PANDEMIA

COVID-19 – Entre os entrevistados, 54% têm em casa pessoas do grupo de risco para o coronavírus. Já 82% não tiveram contato com a Covid-19 e 18% foram contaminados pela doença;

ISOLAMENTO – Uma maioria de 44% está em situação social de isolamento flexível e apenas 4% têm experienciado uma rotina muito flexível em relação ao isolamento.  Na contrapartida, 36% têm vivido de modo rigoroso e 16% estão em uma rotina muito rigorosa;

REFEIÇÃO NA ESCOLA – Para 42% das famílias, a falta de refeição que os estudantes faziam na escola está pesando no orçamento, com destaque para o Nordeste, que chega a 52%;

RENDA FAMILIAR – A renda familiar diminuiu em 42%, e 38% recebem ou têm alguém em casa que recebe Bolsa Família. Aqui, o Nordeste desponta com 58% e o Norte com 50%. O auxílio emergencial tem sido usado por 59% dos domicílios abordados, sendo 66% no Nordeste. 

Nas referências deixamos os links para você entender os resultados na íntegra. Entendendo os impactos e legados da pandemia na educação podemos planejar 2021, contando com a tecnologia como aliada!


Willian Echeverria é Content Producer no Edupulses. Graduando em Psicologia e pesquisador em Educação, Aprendizagem e Metodologias Ativas. Willian se desafia todos os dias na busca de novas metodologias e ferramentas ativas que auxiliem no processo de ensino-aprendizagem.


REFERÊNCIAS:

DATASENADO. Quase 20 milhões de alunos deixaram de ter aulas durante a pandemia. 2020. Link: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/08/12/datasenado-quase-20-milhoes-de-alunos-deixaram-de-ter-aulas-durante-pandemia

DIÁRIO ONLINE. 70% dos professores utilizarão mais tecnologia no ensino após a pandemia. 2020. Link: https://www.diarioonline.com.br/noticias/para/619904/70-dos-professores-utilizarao-mais-tecnologia-no-ensino-apos-pandemia

FUNDAÇÃO LEMANN. Pesquisa aponta legados da pandemia para a educação. 2020. Link: https://fundacaolemann.org.br/releases/pesquisa-datafolha-aponta-legados-da-pandemia-para-educacao

FUNDAÇÃO LEMANN. Educação não-presencial: 74% dos alunos não recebem atividades. 2020. Link: (https://fundacaolemann.org.br/materiais/educacao-nao-presencial-74-dos-alunos-recebem-atividades)

FUNDAÇÃO LEMANN. Educação não-presencial na perspectiva dos alunos e famílias. 2020. Link: (https://fundacaolemann.org.br/materiais/educacao-nao-presencial-na-perspectiva-dos-alunos-e-familias)

TRIBUNAL DO PLANALTO. Pesquisa Datafolha mostra que professores consideram imprescindível conectar escolas para a retomada do ensino em 2021. 2020. Link: http://tribunadoplanalto.com.br/2020/11/17/pesquisa-datafolha-mostra-que-professores-consideram-imprescindivel-conectar-escolas-para-a-retomada-do-ensino-em-2021/

PESQUISAS NA ÍNTEGRA:

AGÊNCIA SENADO, Pesquisa DataSenado: Educação durante a pandemia. Agosto/2020. Link: https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/arquivos/cerca-de-20-milhoes-de-brasileiros-tiveram-aulas-suspensas-em-julho-de-2020

IMAGINABLE FUTURES, DATAFOLHA, FUNDAÇÃO LEMANN, ITAÚ SOCIAL. Pesquisa Educação Não Presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias. Onda 1.  Junho, 2020. Link: https://fundacaolemann.org.br/storage/materials/s8jC6neBCpdzvOThstFl1KoFHoiNwEMoZQil6Tkp.pdf

IMAGINABLE FUTURES, DATAFOLHA, FUNDAÇÃO LEMANN, ITAÚ SOCIAL. Pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias. Onda 2.  Junho, 2020. Link: https://fundacaolemann.org.br/storage/materials/SWHzonCQokunCJnPsNWOCnO5j704Pn90KG0MFYzE.pdf

IMAGINABLE FUTURES, DATAFOLHA, FUNDAÇÃO LEMANN, ITAÚ SOCIAL. Pesquisa Educação Não Presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias. Onda 3.  Junho, 2020. Link: https://fundacaolemann.org.br/noticias/educacao-nao-presencial-na-perspectiva-de-alunos-e-familias

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